Tudo começou em 1996. Eu estava no primeiro ano do colegial. Antes eu estudava em uma escola católica, onde vivia num mundinho agradável e cor-de-rosa.
Mas no colegial, eu percebi que o mundo não era bem aquilo que eu vivia. De cor-de-rosa, ele ficou chumbo. Eu estava enfrentado todos os problemas típicos da adolescência: Baixíssima auto-estima, necessidade de afirmação em um grupo, inconformismo com o mundo.
Como sinal de rebeldia, eu passei a ser gótica/roqueira/ou-qualquer-porra-dessas. Queria me vestir apenas de preto, andava com o cabelo bagunçado e às vezes eu ficava deprimida de verdade. Como a escola tinha uniforme branco, era com os acessórios que demonstrávamos o quanto éramos rebeldes.
Nessa época eu usava apenas um pingentinho no pescoço, era um coqueiro (oi?) que meu irmão me deu de presente após uma viagem (souvenir de lugares que eu nunca fui). Mas eu queria mais.... e queria mostrar rebeldia total.
Acontece que nada no mundo é perfeito e nessa época, começaram as alergias por metal vagabundo. Coisas de ouro eu não queria de jeito nenhum... detestava trecos dourados em mim. Definitivamente não combinava comigo. O esquema eram as coisas prateadas.
Um dia, tive que ir até a Lapa e para isso desci, a pé, a rua 12 de Outubro (famosa pela baderna de camelôs, sujeira e multidões ensandecidas). Quando cheguei na esquina do McDonalds, reparei num camelô que vendia biju. Perguntei dos anéis e o cara me garantiu que aqueles anéis eram de prata mesmo. Tinha um de Mickey e outro de golfinhos. Mickey era um absurdo.... aquilo era coisa de criança e eu era uma adolescente, sim senhor! Fiquei com o de golfinhos..... Não acreditei que era de prata, visto que custava apenas R$2,50 cada anel. Mesmo em 1996, era muito baratinho. Levei.
Coloquei no dedo anelar da mão esquerda e ficou show. Passei a usá-lo o tempo todo, visto que não me deu alergia nenhuma. Era prata de verdade. Os anos foram passando e o anel continuava na mão, mesmo com todas as minhas mudanças de estilo. Acho que nunca fiquei mais de cinco minutos sem o anel.
A resina preta lascou em 3 pedaços durante os anos. Um dia, passando creme nas mãos, esse meu velho anel enroscou em outro e amassou todo. Foi quase uma tarde de paciência pra ele voltar mais ou menos ao que era.
Esse anel resistiu ao tempo e à opiniões contrárias a ele (o benhê não gostava dele definitivamente). Eu imaginava tirar esse anel apenas no dia em setembro do ano que vem, quando eu o trocaria pela aliança (do casório, sacomé) e então o guardaria como uma lembrança gostosa.
Mas sexta passada fiquei bastante triste. Estava vendo TV distraidamente quando mexi no anel. Senti um créck estranho e fui olhá-lo: Ele tinha quebrado. Fiquei tão, mas tão desolada que até o benhê ficou preocupado. Não era bem esse o fim que eu imaginava para esse anel tão querido. Tirei o anel e fui guardá-lo, com medo de estragar mais ainda. Tive que encontrar um outro anelzinho para substituí-lo, já que não consigo ficar sem nada nesse dedo, mas não é mesma coisa.
Agora ele está guardado, mas ainda assim, estou triste por não telo mais na minha mão, todo dia....
Esta é uma publicação do Gaborin Gaboriela. Se você leu em qualquer outro lugar sem os créditos, ele foi surrupiado sem autorização! Avise-me!




2 falatórios:
Aiai, pq todo adolescente tem sua fase de se vestir de preto né? acho que quase nenhum passa sem isso!
Sinto pelo seu anel, acho que eu até tentei usar um mas não consegui. Aliás, nunca consegui usar nenhum penduricalho. Seja anel, brinco, colar, pulseira... depois que casei combinei com o marido de não usar aliança, eu tinha quase certeza que ia acabar tirando e largando em qualquer canto. O_o
Sério??? Gente, eu sou uma árvore de natal ambulante.. tanto que aprendi a fazer biju pra economizar com os balangandãs!
Aliança eu quero.. muito!!!
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Mas vamos ser finos, ok?
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Beijinhos na alma!
Gaborin