30 de junho de 2014

Chocolate Quente

Texto publicado originalmente em 01/03/2008


Nada como a televisão para influenciar uma criança, não é mesmo?

Com a pequena Gaborin não foi diferente. Quando assistia aos filmes da sessão da tarde, imaginava-se nas aventuras, nos lugares bacanas que via e também saboreando aquelas coisas que infelizmente não existiam no mercado perto da sua casa.

Mas no fundo no fundo, a pequena Gaborin queria mesmo era tomar uma xícara de chocolate quente no inverno, assim como num filme em que uma garotinha, após enfrentar uma nevasca, ganhou da amável avó a caneca deliciosamente fumegante... A pequena Gaborin imaginava como deveria ser maravilhosa a sensação de sorver o conteúdo da xícara: encorpado, saboroso, cremoso e doce... hummm deveria ser muito doce para ser bom. E a jovenzinha sonhava.

Num dia de inverno, em seu bairro aconteceria a solene festa junina anual. A tão aguardada festa junina, com todas as coisas provincianas possíveis. Dirigiram-se para o evento a família da pequena Gaborin, se não me falha a memória, apenas uma parte dela, mas isso é irrelevante. O fato é que a quermesse estava boa, com muita comida, bebida, música, alegria, biribas, brinquedinhos de plásticos, etc.

Em certo momento, passando por uma das barracas de bebida, a jovenzinha leu na placa: “Chocolate Quente.......... R$ 0,50”.

“Mãe, eu quero!”

“O que? Quer o que?”

“Chocolate quente, mãe! Você não viu? Tem chocolate quente na barraca!”

A cabeça da jovenzinha estava a mil, ansiosa com a possibilidade de saciar a sua vontade, acabar com sua curiosidade e talvez convencer sua mãe a conseguir a receita!

“Credo Gabi, jura que você quer isso mesmo? Tem tanta coisa que você gosta aqui!”

“Não mãe, é isso mesmo.” Falou a garotinha com os olhos fixos nas grandes jarras sobre o fogão improvisado. Imaginava-se degustando o maravilhoso creme.

Chega a mãe com a ficha e solicita a bebida para a criança.

“Toma cuidado que está quente.”

A pequena e afoita menininha segura com carinho e seu copinho e leva-os aos seus rosados lábios. Assopra e dá o primeiro gole. Nesse momento sua expressão facial altera-se.

“Mãe, mas isso é Nescau!”

“É, ué!?! Tava achando que era o que?”

“Chocolate quente oras... Nescau não é chocolate quente. Nescau é Nescau.”

“Não boba, Nescau é chocolate quente.”

“Mas nos filmes não é Nescau! Nos filmes parece ser tão delicioso. Não quero mais isso... Nescau eu tomo em casa!”

“Você só tomou um gole.. Ta bom vai, dá aqui... com essa carinha de choro você deve estar frustrada mesmo, né?”

“É, to!”

Cheia de tristeza e angustia em seu pequeno coração, a menina Gaborin volta para sua casa decepcionada com o acontecido.

Nunca mais se imaginou tomando o chocolate quente e toda a vez que tomou Nescau, preferiu tomá-lo frio.
Traumatizada, a pequena Gaborin cresceu sem sonhos achocolatados....

----------***----------

Então a pequena Gaborin cresceu, virou a grande Gaborin que foi viajar e viu novamente a venda de chocolate quente. Como num flashback tudo voltou, inclusive o cheiro da festa junina de 20 anos atrás.... Mas para sua surpresa, esse era o chocolate quente esperado a tantos anos.... Gordo, gostoso, calórico e quentinho.... pra comer de colher se quiser! Nesse dia a pequena Gaborin voltou a reinar e a grande Gaborin aproveitou cada gole!!!!

Imagina algo gostoso. Imaginou? Então deve ser algo assim!


Esta é uma publicação do Gaborin Gaboriela. Se você leu em qualquer outro lugar sem os créditos, ele foi surrupiado sem autorização! Avise-me!

4 comentários:

  1. Eu adoro a pequena e a grande Gaborin, com seus talentos, suas memórias e suas histórias.
    E esse brigadeiro líquido tá de babar no teclado....heheheheh

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  2. Gabi, pelamordedeus, como faz esse néctar?!!!! A chocólatra aqui está babando, hehe!
    Beijo, menina

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    1. Ai De.... como eu gostarua de saber...... ate eu q nem sou tão fa assim de chocolate gosraria de saber essa receita!

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